URBEM 01/12/2020

Por que ainda não prevenimos a ameaça climática em escala global?

A resposta à pandemia tem sido rápida, o que demonstra nossa capacidade de articular medidas coletivas e eficazes em escala global. Por que será então que não conseguimos assumir nossa responsabilidade perante a crise climática, agindo conjuntamente para evitar as consequências desastrosas que há anos já vêm sendo alertadas? 

Esperar que as emissões de gases do efeito estufa atinjam um nível irreversível para só depois tentar reparar o estrago não parece a melhor alternativa. Medidas preventivas podem ser tomadas a qualquer momento e, conforme o tempo passa, se tornam ainda mais fundamentais. 

Foi nesse contexto que surgiu o Conselho de Governadores pelo Clima, uma carta-compromisso firmada por governadores de vários estados brasileiros com base nas metas do Acordo de Paris. A aliança marcou o I Encontro Internacional Governadores pelo Clima, evento online realizado pelo Centro Brasil no Clima (CBC) em 29 de outubro como um esforço para enfrentar a questão climática e incentivar uma economia mais verde. 

Os estados signatários se comprometem com o desenvolvimento sustentável do País e em assegurar uma retomada econômica capaz de fortalecer empresas e gerar empregos, mas também aproveitar oportunidades de investimento em energias renováveis, reflorestamentos, saneamento, reciclagem, bioeconomia e inovações tecnológicas e de processos produtivos, com uso mais eficiente dos recursos públicos e privados.

Exemplos internacionais bem sucedidos inspiraram a ação. Na Alemanha, uma lei de proteção climática instituída no final de 2019 criou um sistema de taxas para emissão de carbono e impostos para tornar voos mais caros, além de aprovar um pacote de gastos de US$ 60 bilhões em ações para que sejam cumpridas as metas do Acordo de Paris. 

No Chile, o plano climático anunciado pelo governo em abril deste ano promete ser ainda mais ambicioso do que o plano apresentado em 2015 ao pautar suas ações em pilares sociais, ressaltando a visão holística do país em relação ao tema e a importância de criar modelos de desenvolvimento de baixo carbono que apoiem a criação de empregos e a redução da desigualdade social.

Vale ressaltar que o Acordo de Paris, firmado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP21) em 2015, reúne centenas de países ao redor do mundo em torno de um objetivo comum: manter o aumento da temperatura média global entre 1,5º C e 2º C até o final do século e criar um ecossistema de financiamento para que países menos desenvolvidos possam se adaptar aos efeitos das mudanças climáticas e avançar na redução de suas emissões de carbono.

Um dos primeiros a apresentar uma meta climática com base no acordo foi a União Europeia, que estabeleceu a redução nas emissões de gases do efeito estufa em 40% até 2030. Com políticas firmes contra o aumento da temperatura global, como instituir em lei uma meta de produção de energias renováveis até 2030, o bloco pode chegar a uma redução de 48% nas emissões de gases até o mesmo ano. O amadurecimento de alternativas sustentáveis para a construção civil, como o incentivo à produção de edifícios em madeira, são um trunfo dos europeus para atingir esses objetivos, uma vez que o setor é responsável por uma parcela significativa das emissões de CO2 no mundo. 

Neste cenário, nós da Amata lançamos a Urbem, empresa focada em ampliar a produção de edificações sustentáveis no País. Ao escolhermos a madeira engenheirada como matéria-prima para a produção de edifícios dos mais variados perfis, apostamos em um caminho rumo a cidades mais resilientes e em harmonia com o ambiente. 

A madeira é o único elemento que, além de não emitir poluentes, ainda captura e estoca o carbono disperso na atmosfera ao longo de toda a sua vida útil. O uso da Madeira Lamelada Colada (MLC) e da Madeira Lamelada Colada Cruzada (CLT), produzidas a partir de matrizes florestais renováveis, permite conciliar progresso e respeito à natureza. A cada ciclo de reflorestamento, novas árvores capturam o CO2, ajudando a minimizar a concentração dos gases na atmosfera. 

Com o colapso global causado pelo superaquecimento do planeta ameaçando vir à tona nos próximos anos, temos de redefinir com urgência nossas construções do presente e assim garantirmos o nosso futuro, repensando o modo como consumimos, produzimos, transportamos e, principalmente, construímos, o que envolve uma série de hábitos que precisam ser transformados.

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