16/07/2021

Novos fundos e linhas de crédito verdes oferecem retornos combinados à geração de impacto positivo

O comportamento do mercado financeiro atesta que o ESG (sigla em inglês para Environmental, Social e Governance) se tornou sua nova régua, o que tem levado a uma multiplicação de fundos verdes ao redor do mundo. Além da rentabilidade, eles buscam gerar impacto positivo, ampliando as métricas de retorno. Dessa forma, impulsionam o surgimento de novas classes de ativos relacionados a infraestrutura, crédito estruturado, imobiliário e private equity pela perspectiva dos resultados sociais e ambientais.

Fundos imobiliários (FIIs) ligados a questões sustentáveis, por exemplo, investem em prédios com certificação verde, que aliam sustentabilidade, uso racional de água, eficiência energética e gestão de resíduos. Parques eólicos e solares também se tornam uma alternativa atraente para esses investidores, assim como a compra de dívida de empresas sustentáveis.

Globalmente, o segmento de investimento responsável movimenta US$ 31 trilhões no mundo em ativos financeiros, de acordo com dados do Global Sustainable Investment Alliance. Um levantamento de 2019 feito pela Morgan Stanley com informações da Morningstar identificou 281 fundos de investimento nos EUA com foco em ESG, aumento de 144% em relação a 2004. No Brasil, a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) informa que, até o ano passado, apenas 12% dos investimentos estavam sob a alçada das boas práticas socioambientais.

Atores financeiros de peso vêm aderindo à iniciativa, com destaque para as gigantes XP e o BTG. Enquanto a primeira lançou área de ESG dentro da empresa e anunciou R$ 100 milhões para que gestoras independentes desenvolvam estratégias positivas no Brasil, a segunda projeta lançar até US$ 1 bilhão em produtos financeiros verdes. A BlackRock, maior gestora em volume de ativos do mundo, também anunciou que pretende desenvolver a área ESG no Brasil. Até 2018, o país contava com apenas dois fundos do tipo, um pelo Banco Santander e outro pela gestora Fama, mas hoje são dezenas.

A onda pegou até mesmo instituições tradicionais como o Banco do Brasil que, além da oferta em fundos verdes, segue bancando projeto sustentáveis. Estão previstos até R$ 125 bilhões para iniciativas em agricultura sustentável, R$ 15 bilhões em desenvolvimento de energias renováveis e R$ 20 bilhões em medidas de desenvolvimento sustentável urbanas até 2025.

A adesão do BB segue o movimento dos grandes bancos brasileiros, liderados pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos), que fechou parceria com a International Finance Corporation (IFC), do Banco Mundial, para alinhar o setor aos compromissos do Acordo de Paris. A entidade já conta com 23 bancos brasileiros como signatários e exige deles a oferta de financiamento de projetos sustentáveis e emissão ou investimento em títulos verdes.

O Banco Central do Brasil (Bacen) também segue sua agenda de sustentabilidade, apoiando a Força-tarefa para Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima (TCFD, na sigla em inglês). A instituição, criada em 2015 por solicitação do G20, tem como foco o combate às mudanças climáticas por meio do gerenciamento de riscos socioambientais e da promoção de finanças sustentáveis. Os esforços buscam consolidar uma economia verde ancorada em preocupações sociais e na transparência em todos os níveis de gestão, além de melhorar o desempenho do Brasil no cenário internacional.

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