Com base nos valores do ESG, projeto revela que as melhores práticas ambientais começam na arquitetura

Recentemente, o McDonald’s anunciou a inauguração de um restaurante capaz de produzir 100% da energia que consome. A unidade experimental está localizada na Flórida, próximo aos parques da Disney. O projeto com soluções sustentáveis, desenvolvido pela Ross Barney Architects, mesclou painéis solares, vidros fotovoltaicos, janelas automatizadas e paisagismo para produzir um arranjo capaz de promover compensação entre consumo e autoprodução de energia. Este novo conceito arquitetônico vai ajudar a empresa a atingir seu propósito de tornar sustentável todos os restaurantes e escritórios da rede, incluindo a meta de reduzir as emissões de carbono em 36% até 2030.

Com o projeto-piloto, o gigante de fast-food busca se aproximar cada vez mais da excelência nos chamados parâmetros ESG (na sigla em inglês, Environmental, Social and Governance), que vem incorporando em seu núcleo de negócios desde 2014. Tendência mundial dos investimentos socialmente responsáveis, estas métricas vão além de análises econômico-financeiras e se debruçam sobre fatores de desempenho ambiental, social e de governança corporativa. Eles representam o tripé da sustentabilidade e são alvo do crescente interesse dos investidores, o que tem levado empresas, aqui e no exterior, a fortalecer seu compromisso com a inovação sustentável.

A autossustentabilidade do novo McDonald’s é elogiável, claro, mas é sempre bom lembrar que redução de impacto ambiental vai além de sistemas de iluminação, refrigeração e aquecimento alternativos e com baixo consumo energético. Uma edificação não se torna poluente apenas na forma como utiliza energia. Melhores práticas ambientais, sociais e de governança começam no projeto arquitetônico e sua execução. Para se ter ideia, atividades em canteiros de obra representam um quarto de todas as emissões de CO2 ao longo da vida útil de uma edificação.

Construtoras e incorporadoras estão começando a prestar atenção ao tema no Brasil, ainda que os parâmetros ESG estejam na fase inicial por aqui. Prova é que a busca por métodos construtivos sustentáveis tem levado empresas a investir em soluções industrializadas, a exemplo da madeira engenheirada, produto com excelente desempenho estrutural e baixo impacto ambiental. Uma equação fácil de entender quando se percebe que materiais como concreto e aço emitem carbono para serem produzidos, enquanto árvores, a matéria-prima da madeira engenheirada, o  “sequestra” e absorve da atmosfera, além de ser uma fonte renovável.

Estudo do CFA (Chartered Financial Analyst), aponta que até 2022 os temas ambientais e sociais se tornarão tão importantes quanto os relacionados à governança. A tendência, principalmente depois da pandemia causada pelo coronavírus, é que o mercado e os investidores estejam cada vez mais preocupados com tais questões. Certamente passarão a privilegiar empresas em sintonia com o ESG, que adotam as melhores práticas, ou seja, que estejam mais bem preparadas para lidar com as mudanças nos padrões de produção, sobretudo aqueles preocupados em amenizar os impactos negativos de seus produtos e serviços no meio ambiente.

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