O Canadá é o país com a segunda maior área territorial do mundo, atrás apenas da Rússia. São quase 10 milhões de quilômetros quadrados dos quais 40% são cobertos por florestas. Tais proporções se refletem na quantidade de madeira disponível, afinal são quase 350 milhões de hectares ocupados por árvores, o que faz do país o maior exportador global de madeira.

Com esse cenário, não é de surpreender que o Canadá tem assumido a vanguarda de projetos com madeira engenheirada, despontando como um dos líderes deste tipo de construção. O incentivo pelo aprimoramento da tecnologia vem de empresas, universidades  e do governo, que mantém programas de incentivo na área. O Tall Wood Building Demonstration Initiative (TWBDI) é o principal deles, voltado a financiar pesquisas e testes de madeira em edifícios cada vez mais altos, esforços que colaboraram para dinamizar o mercado e flexibilizar legislações construtivas. Segundo a Natural Resources Canada, já existem mais de 500 edifícios em madeira de porte médio por todo o país, concluídos ou em processo de desenvolvimento. 

A Brock Commons Tallwood House, uma moradia estudantil em Vancouver, tem 53 metros e 18 pavimentos. Concluída em 2017, foi a mais alta construção em madeira já feita até aquele momento. O projeto é do escritório canadense Acton Ostry Architects Inc., com colunas em madeira lamelada colada (MLC) ligadas a painéis de madeira lamelada colada cruzada (CLT) através de conectores metálicos. O método construtivo permite que as peças cheguem prontas à obra, o que otimiza muito a montagem do edifício. A construção se mostrou mais rápida e com menor impacto ambiental do que uma estrutura convencional.

Hoje, a posição de edifício de madeira mais alto do mundo é do Mjøstårnet, na Noruega,  de 83 metros, mas em breve o Canadá pode reaver o título. A aposta é a Earth Tower, projeto de autoria do escritório multinacional Perkins+Will, que alcançará 120 metros. Trata-se de um prédio em Vancouver de uso misto, com  apartamentos, lojas, restaurantes e escritórios distribuídos em um volume apoiado em uma base em forma de U. A estrutura da construção de 40 andares tem núcleo de concreto e paredes, lajes e colunas compostas por diferentes tipos de madeira engenheirada, como MLC, CLT e DLT (sigla em inglês para madeira lamelada cavilhada).

Outro projeto de destaque em solo canadense é o Terrace House, desenhado pelo arquiteto japonês Shigeru Ban, vencedor do Prêmio Pritzker. Com formas triangulares, materiais naturais e ampla vegetação, o prédio de apartamentos é adjacente ao histórico Evergreen Building, do consagrado arquiteto canadense Arthur Erickson, comprovando o quanto a madeira engenheirada pode ser uma boa alternativa para ampliar espaços existentes e conectar anexos. Prometendo alcançar 71 metros de altura, a estrutura do Terrace House é composta por madeiras de extração local deve ser finalizada em 2021, em um movimento crescente que assegura o Canadá como um dos centros mundiais de desenvolvimento e exploração da madeira engenheirada.

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