Veículo: Gazeta do Povo

Por Ana Belizário, especial para HAUS*

No Brasil e no mundo, o momento imposto pela pandemia de coronavírus é delicado. Diversos setores foram impactados e no âmbito da construção civil brasileira ainda não sabemos a extensão deste cenário. No entanto, a influência de uma crise de saúde pública dessas dimensões tende a catalisar uma série de transformações que já vinham despontando como tendências no setor.

A preocupação com a forma através da qual obtemos recursos do meio ambiente para construirmos as nossas cidades passa a ser cada vez crucial para o desenvolvimento sustentado do planeta. Sustentabilidade deixa de ser um item opcional de um empreendimento; passa a ser a principal estratégia que norteará as decisões dos investidores, clientes, incorporadores, construtores e projetistas.

Canadá é um dos países que mais utiliza esse sistema de construção com madeira. Foto: André Ferreira/Divulgação

Entre as tendências citadas, a busca pela industrialização do canteiro parece ser uma jornada inevitável para a cadeia da construção civil brasileira. Nossos índices de produtividade em canteiro são bastante baixos, com ciclos longos de obra, uso extensivo de mão de obra, desperdício de materiais, grande consumo de água – um modus operandi que a cada dia parece mais obsoleto e incoerente com as necessidades da contemporaneidade.

A adoção de sistemas industrializados traz benefícios claros: redução de tempo de obra, equipes enxutas, pouco ou zero desperdício no canteiro, maior precisão e ganho de produtividade. Apesar de demandarem mais tempo de desenvolvimento de projeto, os prazos finais são reduzidos. Essas tecnologias possibilitam obras substancialmente mais rápidas, tendo um ganho de cerca de 50% no prazo global, com uma obra assertiva e segura.

Dentre essas soluções, destaco a madeira engenheirada. Material com intensa tecnologia embarcada, resistente e de alta performance, que apresenta a vantagem do beneficiamento através de máquinas CNC, por meio da qual os elementos recebem furos e corte de acordo com o projeto virtual. Isto é, através de um projeto preciso, os elementos construtivos são entregues na obra somente para a montagem, gerando um canteiro de obras limpo, rápido, seguro e previsível.

Edifício Brock Commons Tallwood House, no Canadá, construído em madeira. Foto: André Ferreira/Divulgação

Destaque em países como Inglaterra, Canadá, Alemanha, Estados Unidos e Austrália, a madeira engenheirada já se mostra como tendência mundial na arquitetura contemporânea, possibilitando projetos ousados, multipavimentos e híbridos, uma vez que a madeira estabelece boa relação com os demais sistemas. Trata-se de um material renovável, que retira gás carbônico da atmosfera, leve, resistente, estável e versátil.

No Brasil, despontam alguns escritórios que de forma inovadora começaram a projetar edifícios utilizando a madeira engenheirada. Em São Paulo, o primeiro prédio multipavimentos do país será entregue até o final do ano. Em Curitiba, a Realiza Arquitetura já tem planos de grandes obras utilizando a tecnologia que, como o próprio escritório sinaliza, faz parte de uma nova geração de produtos naturais manufaturados com eficiência e respeito ao meio ambiente, capazes de entregar soluções robustas atendendo a diversos usos.

Exemplo de edifício no Canadá construído a partir de madeira engenheirada. Foto: André Ferreira/Divulgação

Este pode ser o momento de apostar em soluções que unem rentabilidade para o investidor e conforto para o usuário, ao mesmo tempo em que atendem as agendas social e ambiental, de maneira a fomentar uma cadeia construtiva de impacto positivo para a sociedade.

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