Produtos feitos in loco agora chegam prontos de fábrica, transformando o canteiro de obras em linha de montagem.

Por muito tempo a construção civil brasileira foi predominantemente artesanal, caracterizada por baixa produtividade, grande desperdício de materiais e ausência de mão de obra qualificada. Há pelo menos duas décadas, um dos maiores desafios do setor tem sido mudar essa realidade a partir da racionalização de processos e mecanização de serviços no canteiro – quesitos inerentes à construção industrializada. Mas, afinal, como ela funciona?

“É o mesmo que transformar um canteiro de obras em uma linha de montagem, assim como acontece na área automobilística. Para isso, é necessário que todas as peças cheguem prontas ao local, somente para a montagem”, define Maurizio Vairo, engenheiro da AMATA.

A industrialização, no entanto, abarca vários níveis. O que define o conjunto de sistemas mais apropriados à determinada edificação é o projeto arquitetônico e as disciplinas complementares de engenharia. Em geral, pode-se considerar como industrializada aquela obra que desloca atividades antes feitas in loco –  de forma manual ou com pouca mecanização – para as indústrias, com total precisão e controle de qualidade. Consequentemente, é possível ganhar qualidade e velocidade executiva, diminuir o número de trabalhadores em campo, assim como o desperdício de materiais.

 

Detalhamento de projetos 

Os benefícios relacionados ao menor tempo de execução de obras com maior grau de industrialização tendem a ser mais relevantes em empreendimentos cujo tempo impacta em retorno financeiro imediato “Escolas, aeroportos, hotéis, supermercados, galpões, shoppings, torres corporativas ou residenciais para renda,”, exemplifica o engenheiro Maurizio Vairo.

Mas antes de qualquer montagem, há de se considerar como primordial um maior nível de detalhamento dos projetos, diferentemente de obras convencionais, onde as ‘adaptações’ acabam ocorrendo na própria obra.  De acordo com o engenheiro, a geometria e a dimensão das peças têm de ser precisas no detalhamento, uma vez que possíveis erros implicam em perdas consideráveis de produtos e materiais. Por isso, toda a obra industrializada deve ser concebida com tal característica. Ou seja, não se pode projetar no sistema convencional e simplesmente adaptar para o industrial.

 

Interfaces do sistema

O mercado da construção civil tem ganhado ano a ano cada vez mais produtos industrializados.  Mas além da possibilidade das estruturas (pré-fabricadas de concreto, metálicas e de madeira engenheirada), existe também a necessidade de que as demais disciplinas, ou interfaces do sistema estrutural sejam feitas em fábrica ou indústria.

Um exemplo são as paredes de drywall, capazes de substituir em muitas situações as vedações de blocos cerâmicos. “Ainda assim, tais elementos são considerados semi-industrializados pelo fato das superfícies não chegarem completamente montadas no canteiro”, destaca o engenheiro. Existem também outras opções de elementos, como fachadas pré-moldadas, muito utilizadas mundo afora e que já podem ser vistas em diversas obras brasileiras.

Apesar da oferta de soluções, uma obra 100 % industrializada só será eficiente se estiver aliada a um componente fundamental: a gestão. “Pessoas, materiais, equipamentos, informações e recursos financeiros têm de ser muito bem planejados e coordenados no processo”, conclui Maurizio Vairo.

 

[ créditos da imagem destacada: www.naturallywood.com ]

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