As vantagens de elementos modulares pré-fabricados em empreendimentos foi o tema do encontro virtual

A AMATA Brasil e a Gerdau, maior empresa brasileira produtora de aço, se uniram em vídeoconferência, no dia 15 de abril, para discutir os benefícios dos sistemas construtivos industrializados. O bate papo conduzido pela arquiteta Ana Belizário, gerente de novos negócios da AMATA, teve a participação especial da engenheira Rosane Bevilaqua, coordenadora de atendimento técnico da Gerdau.

No primeiro bloco, Ana fez uma breve recapitulação sobre as diferenças entre os métodos construtivos, dando ênfase aos pré-fabricados modulares – tema do encontro. A arquiteta vê a madeira engenheirada, assim como os sistemas industrializados, como o futuro da construção civil, tal qual muitos especialistas do mercado têm apontado. “Utilizada há anos no exterior, a tecnologia está em fase de expansão no Brasil, como aconteceu com o aço há 20 anos, por isso a troca de experiências e parcerias entre as companhias é fundamental”, frisou.

Apesar da madeira e do aço serem materiais distintos, tendo cada um o seu desempenho, ambos integram a cadeia construtiva industrializada, podendo ser empregados em conjunto; o que se entende hoje por sistemas híbridos ou mistos –  comuns a várias tipologias de obras. “Assim como os sistemas pré-fabricados em aço, a madeira engenheirada sai em módulos prontos para montagem no canteiro de obras, inclusive com marcações de rebaixos, bem como recortes de portas e janelas. Já os componentes hidráulicos e elétricos são inseridos in loco, uma vez que as furações podem ser realizadas em fábrica, o que implica em precisão no projeto; ponto crítico quando se adota sistemas construtivos convencionais”, explicou Ana. 

 

Quanto maior a industrialização, menor o custo de pós-obra

Diminuir custos e prazos e ainda manter a qualidade da edificação. Este é o objetivo de quem adota a racionalização de uma obra por meio dos sistemas industrializados. E, ao contrário do que se imagina, um conjunto de boas práticas construtivas deve se estender a todos os empreendimentos: tenha ele 200 m2 ou 20 mil m2, as considerações são as mesmas.  

Vale lembrar que ao adotar um sistema construtivo modular industrializado e racional é possível ter um cronograma de obra assertivo, isto é, minimiza-se atrasos, desperdícios de materiais e retrabalho. Tudo começa no pré-projeto, se estendendo para o projeto executivo, fabricação dos módulos, montagem no canteiro e monitoramento da obra.

De acordo com Rosane, é necessário entender que a fase de projeto demanda um nível de detalhamento mais apurado, que nem sempre é feito quando se opta por sistemas convencionais. “A garantia de tudo o que foi especificado deverá se refletir na qualidade da edificação. Até porque, quanto maior a industrialização, menor o custo de pós-obra”, destacou.

Quanto ao tipo de sistema construtivo, é recorrente o questionamento dos profissionais sobre o mais vantajoso: aço, concreto ou madeira? A resposta, contudo, é sempre relativa, pois cada material apresenta seu devido desempenho conforme o contexto do projeto. Uma obra não precisa ser 100% industrializada para ter eficiência; o ideal, segundo a engenheira Rosane, é que pelo menos a estrutura, que é o que garante a precisão da construção, seja produzida off-site.

Rosane Bevilaqua aconselha a análise das seguintes condicionantes: tipo de arquitetura esperada (estrutura aparente ou não); tempo despendido, ou seja, se é necessária rapidez na entrega; custo imediato; praticidade; localização da obra, considerando as dimensões territoriais do Brasil; tipos de vigas desejadas; se existe necessidade de leveza estrutural ou não, entre outros pontos. Ao justificar o uso dos sistemas pré-fabricados, ela costuma fazer uma analogia à indústria automobilística. “Um carro tem todos os subsistemas produzidos separadamente, mas o chassi é o principal, assim como a estrutura de um edifício, composta por pilares e vigas. Todos os componentes são fabricados separadamente até chegarem ao pátio da montadora, porém, na certeza de possuírem a mesma qualidade do chassi, garantindo a eficiência do produto final”. 

 

União de esforços em prol da saúde

A velocidade foi uma das características que deram impulso à renovação construtiva até se chegar à arquitetura moderna. Aliada à precisão, é o caminho quando se há urgência em novas edificações, como aconteceu nos últimos meses na China, nos Estados Unidos e na Itália, com os hospitais de campanha construídos para atender aos pacientes vítimas da COVID-19. 

No Brasil, algumas iniciativas vêm sendo tomadas com o mesmo propósito. Uma delas, entretanto, ganhou destaque: a unidade anexa ao Hospital Municipal M’Boi Mirim – Dr. Moysés Deutsch, na zona sul da capital, viabilizada pela Prefeitura de São Paulo, junto da Ambev, Gerdau e o Hospital Israelita Albert Einstein. Ao todo foram criados 100 novos leitos, exclusivamente para o Sistema Único de Saúde (SUS), para inicialmente atender aos pacientes com coronavírus. 

Erguida a partir de técnica de construção modular de sistemas híbridos (perfis de aço e wood frame) em uma parceria entre Tecverde e a Brasil ao Cubo – uma Construtech Brasileira – o novo hospital, que não é de campanha, foi entregue no dia 27 de abril, e integrará a rede pública do município. De acordo com Rosane Bevilaqua, o projeto representou um grande desafio para todos, tendo em vista o tempo recorde de construção (quatro vezes mais rápido que o convencional) com toda a qualidade de arquitetura, engenharia e desempenho. 

Para entender melhor, módulos individuais, metálicos e de madeira foram produzidos em fábrica e, então, montados no local. Isso foi possível graças à tecnologia construtiva, processo adotado, e planejamento aliado à gestão, o que demonstra a capacidade de inovação constante do setor no país.

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