23/06/2021

Enquanto a indústria da música foi revolucionada diversas vezes, a construção civil mantém práticas de 200 anos atrás

Imagine erguer edifícios multipavimentos na metade do tempo em que os construímos hoje? Longe de ser um passe de mágica, isso já é uma realidade viabilizada pelo uso da tecnologia associada a práticas sustentáveis e ao uso eficiente dos recursos disponíveis. 

Em entrevista para o portal Smartus, Ana Belizário, head de novos negócios da Amata, conta que o processo de montagem das estruturas em madeira pode reduzir em até 50% o tempo de execução global da obra em comparação ao sistema construtivo tradicional. Outra grande vantagem é poder contar com uma equipe bastante enxuta para executar os trabalhos. Para se ter uma ideia, cinco colaboradores conseguem montar até 300 metros quadrados por dia. 

Na loja conceito da marca de chocolates Dengo, em São Paulo, que utilizou matéria-prima da Amata, os números impressionam. A estrutura da edificação foi colocada em pé em apenas 37 dias por quatro funcionários, criando a mais alta edificação em CLT (sigla em inglês para Cross Laminated Timber) do País. Importante também destacar a otimização de materiais, já que a madeira engenheirada quase não gera resíduos, enquanto a construção tradicional joga fora cerca de 30% do que chega ao canteiro de obras.

Em larga escala, a construção civil segue utilizando os mesmos métodos ao longo dos últimos duzentos anos, enquanto diversas indústrias sofreram revoluções profundas e contínuas e seguem se adaptando até hoje. A da música, por exemplo, viveu um momento definidor com o advento do fonógrafo, concebido por Thomas Edison em 1877, primeiro equipamento capaz de gravar um som executado ao vivo. Pouco depois vieram o gramofone, a gravação em fita e, em 1940, os vinis. Trinta anos depois começava a era das fitas cassetes, a invenção do CD e com eles a criação do Walkman e do Discman, primeiras formas de música portátil. Mas foi com a digitalização que as barreiras foram rompidas de maneira cada vez mais rápida e transformadora, com redes de distribuição de arquivos e a invenção dos iPods e MP3 players. A popularização do streaming reformulou o consumo de música e remodelou mais uma vez toda a cadeia produtiva. 

A Amata é parte da revolução que a madeira vem trazendo ao setor construtivo. Com a possibilidade de montagem in loco e a digitalização dos processos, é possível otimizar recursos, reduzir o desperdício de materiais e ter maior previsibilidade na obra. Assim como já ocorreu com tantos segmentos, é hora de a construção civil viver a sua transformação mais intensa. Isso significa não apenas utilizar novas matérias-primas, mas mudar a própria lógica de produção. Somente assim será possível termos uma indústria cada vez mais eficiente, sustentável e alinhada com as questões da vida contemporânea.

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