20/08/2021

Documentário da Netflix faz alerta sobre os limites do planeta Terra

Há dez anos, o sueco Johan Rockström participou da programação do TEDTalks falando sobre a necessidade de buscarmos o equilíbrio do planeta — uma fala que, para aquele momento, foi pioneira e quase profética, por trazer a dimensão do impacto climático que se agravaria em pouco tempo. Na palestra, o professor de ciência ambiental analisou as condições para garantir a estabilidade climática e acrescentou que, nos 50 anos subsequentes à Revolução Industrial, os seres humanos foram capazes de quebrar o ritmo do que vinha acontecendo nos 10 mil anos anteriores. 

Neste ano em que a palestra completa uma década, a plataforma de streaming Netflix lançou o documentário “Rompendo Barreiras: Nosso Planeta”. Narrado pelo naturalista britânico David Attenborough, o longa apresenta as pesquisas realizadas pelo professor Rockström e sua equipe que levaram à conclusão de que a natureza vive um ponto de inflexão e como essa se tornou a mais importante constatação científica de todos os tempos. 

Os estudos de Rockström mostraram que o planeta Terra apresenta nove problemas, sendo três deles os principais: mudanças climáticas, destruição da camada de ozônio e acidificação dos oceanos. Há outros seis sistemas que também interferem diretamente na estabilidade planetária: os ciclos do nitrogênio e do fósforo, mudança no uso da terra, taxa de perda de biodiversidade, utilização de água doce, poluição do ar e poluição química. Essas barreiras, quando controladas, permitem a estabilidade do planeta e a continuidade da vida na Terra. O problema é que os seres humanos estão inviabilizando qualquer possibilidade de controle. 

No documentário, a professora e membro do Instituto de Pesquisa e Impacto Climático de Potsdam, Ricarda Winkelmann, explica os efeitos que o derretimento das geleiras podem causar em outros sistemas. Ela conta que, com o aumento do aquecimento global, pode haver um efeito dominó: a crise de um sistema pode desencadear crises seriais nos diferentes sistemas da Terra. Além disso, Winkelmann alerta para o fato de que há limites que, quando ultrapassados, não permitem voltar atrás. 

O longa mostra que durante a década de 80, os seres humanos já quebraram a barreira do carbono e entraram em uma zona de perigo. Os impactos são evidentes: aumento de inundações, secas, zonas de calor e o derretimento mais rápido de calotas polares. Com a quebra dessa barreira, como explica a professora Winkelmann, o colapso de um dos sistemas pode levar ao colapso de outros. 

 Apesar de apresentar um cenário preocupante, o professor Rockström diz haver soluções para combater a emergência climática. A primeira delas é suspender o uso de combustíveis fósseis nos próximos 30 anos, sendo um processo fundamental para minimizar as emissões de gases do efeito estufa. Para além de zerar as emissões, é necessário também extrair o carbono que está superaquecendo o planeta. A forma mais imediata de isso acontecer é plantando mais árvores e fazendo com que essa alternativa seja economicamente vantajosa. A indústria de madeira engenheirada se coloca como parte dessa solução por impulsionar o cultivo florestal e o uso da madeira como alternativa aos processos construtivos tradicionais, os quais geram grandes emissões de carbono.

A mudança dos hábitos alimentares é outro ponto que merece atenção. A produção de carne vermelha tem grande parcela de responsabilidade na geração de gases poluentes, por isso, segundo o filme, o ideal é que as pessoas deem preferência aos cardápios vegetarianos, consumindo mais legumes e menos carne vermelha. 

Reduzir o lixo gerado também é algo que ajudaria a evitar o colapso. É o que o professor Rockström defende, a partir de uma economia baseada na reciclagem. Com uma economia circular em que o produto pode ser utilizado e reciclado, não há desperdício. Rockström apresenta dados sobre como as economias baseadas na reciclagem são fundamentais para oferecer mais qualidade de vida para as pessoas.

Por fim, o professor faz a seguinte indagação: “O que faríamos se amanhã cedo soubéssemos que tem um asteróide vindo para a Terra? Tenho certeza que deixaríamos tudo de lado para focar na solução desse problema”. A crise climática é como se fosse um asteroide se aproximando e apresentando grandes riscos de comprometer o futuro da espécie humana. Para Rockström, o que for feito — e o que deixar de ser feito — nos próximos anos será decisivo para o futuro do planeta e dos seres que nele habitam.

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