Executiva à frente da Amata se adaptou ao papel de líder com muita química

 

Há 25 anos, quando dava início à sua carreira de engenheira química, a jovem Ana Leite Bastos não poderia imaginar que sua vida profissional seria cheia de reviravoltas e surpresas como a trama de um bom filme de cinema, uma de suas paixões assumidas. Hoje, aos 46 anos, a CEO da Amata vê sua trajetória como uma saga repleta de aprendizados e descobertas, em que o papel de protagonista é resultado de muito esforço e convicção inabalável na própria capacidade.

Conhecer um pouco desta trajetória exige um flashback, como nas telas. A história começa em 1994 com a mudança de Ana para o Estado de São Paulo repleta de convicções sobre os destinos de sua carreira. Certa do que iria fazer e como iria fazer, a jovem engenheira foi surpreendida pelas circunstâncias e imprevisibilidades da vida. Em pouco tempo, viu-se distante da química e atuando em novas áreas de interesse. “Para quem queria trabalhar na área técnica de engenharia, eu fiz minha primeira descoberta como profissional de engajamento e marketing”, revela.

Neste período, nossa personagem principal se dividiu entre duas grandes multinacionais, Unilever e Rhodia, onde descobriu seu perfil para a área de negócios, de produtos e desenvolvimento. Atuando com desenvoltura no setor, passou a aspirar novos desafios. “Eu estava me divertindo demais. Precisava de algo para me divertir menos”, brinca Ana, que se viu mais uma vez diante de uma guinada inesperada na carreira já impensada.

Querendo atuar no setor de estratégia, percebeu que precisava galgar um degrau intermediário, a área comercial. “Ela [a área comercial] está mais próxima dos negócios. Então, assim que apareceu a primeira oportunidade, me voluntariei”, conta. Inquieta como toda boa protagonista, seu passo seguinte foi aceitar um cargo no setor de marketing estratégico – área que dava seus primeiros passos à época. Seguiram-se então oitos anos trabalhando com inteligência de mercado, gestão de produtos e serviços e inovação até que tudo ficou novamente… “divertido demais”.

Instigada pelo autoquestionamento recorrente: “Eu tenho potencial para mais?”, Ana Bastos seguiu adiante encarando novos desafios e adquirindo experiências diversas. Trabalhou em uma start up de biocombustíveis dentro de uma grande multinacional da área petroquímica, a BP: mais um capítulo da saga. Até que, em 2018, assumiu o cargo de CEO da Amata. À época, a empresa buscava alguém com um olhar prático sobre produção, vendas, marketing, comunicação, novos negócios, sustentabilidade, planejamento… O histórico plural de Ana a gabaritava para a missão de estruturar a nova fase da companhia.

 

Ana Bastos, a mulher

Paralelamente à carreira profissional intensa, Ana casou-se, teve duas filhas – hoje adolescentes – e vivenciou todas as dificuldades de harmonizar vida pessoal e profissional percorrendo setores e ocupando cargos predominantemente masculinos. “Quem acha que vai conseguir conciliar tudo com tranquilidade está se iludindo. É uma verdade que a gente tem de aceitar. Houve momentos em que tive de colocar o trabalho em primeiro lugar. Em outros, a família veio primeiro”, confessa a CEO.

A executiva acredita que o mercado de trabalho ainda tem grande espaço para as mulheres, e empresas conscientes e dispostas a abrir este caminho. Para ela, as profissionais devem buscar estes empregadores. “Seja na época em que comecei ou hoje, ainda há predomínio masculino em alguns setores e cargos de liderança. A diferença é que atualmente, o tema do empoderamento feminino, de dar oportunidade, de trazer mais mulheres para o mercado de trabalho é discutido”, avalia.

Ana alerta, no entanto, para o ônus das escolhas individuais, sejam na vida pessoal ou profissional. Para ela, a mulher precisa ter consciência que determinadas escolhas vão cobrar seu preço, e não se pode colocar a culpa nos demais. “Quando você se dispõe a subir em uma organização, mais vai ser exigido de você. Existe a partir de determinado ponto uma reflexão: ‘Vale a pena?’”. Não existe resposta pronta para esta pergunta, segundo a profissional. “Meu filme está longe do the end, mas o desfecho até agora me enche de orgulho e gratidão por todos os que estiveram ao meu lado nesta jornada super ‘divertida’. ”

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