Gerente comercial e de projetos da AMATA foi além da profissão e projetou para si carreira multidisciplinar

Concluir a graduação em arquitetura, exercer a profissão e se realizar profissionalmente eram os sonhos de Ana Belizário quando ingressou na prestigiada FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo), da USP, aos 17 anos. Movida pela paixão que começara dez anos antes, quando a mãe contratou um arquiteto para cuidar da reforma da casa, Ana sabia o que queria ser, mas ainda não imaginava o caminho que sua carreira tomaria.  

Depois de um estágio na área de design de produto, trabalhou ao lado do renomado arquiteto Arthur Casas, onde teve contato direto com design, decoração e cultura de mobiliário. “Foi incrível, aprendi muito com ele”, lembra a profissional, que tempos depois – à época do boom do mercado da construção em 2006 – aceitou o convite para trabalhar na incorporadora Cyrela. Alvo de críticas por estar partindo para um setor costumeiramente conservador e pragmático em relação à arquitetura, a jovem profissional não se abalou. “Minha formação e missão como arquiteta é transformar a cidade, a vida das pessoas; é tornar os espaços melhores”, diz. “Não podemos esquecer que arquitetura é uma atuação técnica e ética. Temos de estar junto aos empresários, embasar suas decisões de negócios”, acrescenta.

Ana passou ainda por outras construtoras, como a Even e a Alphaville Urbanismo, e no setor de incorporação expandiu sua área de atuação trabalhando com desenvolvimento de produto e marketing em ponto de vendas. Experimentou também ter o próprio escritório ao longo de um ano, mas não demorou a perceber sua inclinação para a gestão de equipes e projetos. “Sou mais uma arquiteta de negócios e menos de desenho e desenvolvimento técnico de projetos”, avalia. Para ela, a atuação multidisciplinar permitiu desenvolver uma visão holística dos projetos. “Esta mistura de técnica e humanidade é muito importante. Todo business precisa ter essa visão”, afirma.

Seu ingresso na AMATA nasceu de um questionamento feito pela consultora de marketing da empresa à época, que quis saber da arquiteta o porquê de não se construir em madeira no Brasil. Ana Belizário não respondeu de pronto. Pediu um tempo para pensar e contextualizar o tema. A reflexão virou palestra que apresentou para os engenheiros e diretores da empresa. Seguiu-se, então, o trabalho como arquiteta prestadora de serviço, depois consultora e, em 2018, encantada pelos projetos da companhia, ingressou para o quadro de executivos da corporação como Gerente Comercial e de Projetos.

 Quem manda é o número

Admiradora da arquiteta brasileira Lina Bo Bardi e da artista alemã Anni Albers – duas mulheres instigantes e à frente de seu tempo, segundo define –, Ana  busca a inspiração de que precisa para conduzir seu dia-a-dia profissional no contato com a natureza.  Praticante de birdwatching, o hobby de observar pássaros em seu habitat, e amante de caminhadas e trilhas, a executiva se diz confiante e feliz com seu trabalho, a despeito dos desafios. “Aprendi a construir confiança na minha capacidade. A certeza está no embasamento técnico, na formação continuada. Por isso me atualizo, estudo e confio na ciência acima de tudo”.

Aquela jovem estudante de arquitetura que ainda não sabia os rumos que sua carreira tomaria, hoje vai muito além dos conhecimentos exigidos pela profissão e enxerga a importância do negócio por trás do projeto. “As perguntas que temos de fazer sempre são: ‘Esse projeto está relacionado à qual negócio, inserido em qual contexto econômico? Qual taxa de retorno se espera? Quais premissas de custo e tempo teremos de considerar? O que isso significa em termos de projeto?’. Enfim, é um mercado dinâmico, por isso a necessidade de estarmos sempre ligados nos indicadores numéricos dos projetos.”, afirma Ana. Para ela, esta visão inclusiva e abrangente é galvanizada pelo ambiente corporativo da AMATA. “Aqui sinto segurança no que faço, no meu time, nos meus líderes, nos acionistas. É um ambiente de confiança e transparência”, diz.

Sobre ocupar um cargo executivo num meio de predominância masculina, acredita não fazer sentido qualquer tipo de distinção por gênero neste mercado. “O que você tem de ter na hora de construir é responsabilidade civil com vidas e embasamento em normas técnicas. Não basta chegar à obra simplesmente com ‘jeitinho’; é necessário conhecimento técnico”, diz, categórica. A arquiteta destaca que a AMATA reconhece talentos a despeito do gênero. “É bacana ter um lugar de fala, ser reconhecida pela minha competência de forma natural. Não é uma bandeira. É como se isso não existisse. Faz parte dos valores da empresa”, conclui.

voltar [<]