Amata Brasil 25/03/2021

Ambientes em madeira contribuem para a produtividade, aprendizado e até na recuperação de pacientes

Pesquisas acadêmicas buscam mensurar aquilo que todos nós sentimos na pele: até que ponto os espaços com madeira aparente, seja nas estruturas, revestimentos ou no mobiliário, proporcionam uma sensação de conforto e bem estar? Instituições da Europa, Ásia e Estados Unidos se debruçaram sobre esses efeitos e constataram que a convivência com elementos naturais, sobretudo a madeira, é benéfica sob uma série de aspectos. E não só isso: a prática pode aumentar a produtividade no local de trabalho, o rendimento escolar e até mesmo a recuperação de pacientes internados em hospitais e clínicas. 

Em época de quarentena, a escolha de acabamentos naturais tornou-se uma ferramenta para a qualidade de vida tão importante quanto qualquer outro hábito cotidiano e capaz de repercutir sobre os níveis de estresse e a saúde das pessoas. Isso porque quanto mais tempo passamos em espaços fechados, maior seu potencial de influência sobre nossas vidas. De acordo com o relatório Why Do We Feel Better With Wood? da commARCH (Commercial Architecture), os americanos, por exemplo, passam 90% de seu tempo em locais fechados — os 10% restantes são divididos entre locais abertos e o automóvel. Tornar esses ambientes mais acolhedores é uma tarefa de suma importância e que vem sendo desempenhada por frentes de trabalho como o design biofílico, responsável por destacar a importância dos elementos naturais e da conexão com a natureza como estratégia para nos sentirmos melhor. 

A entidade Forest and Wood Products, da Austrália, divulgou um estudo com 1.000 entrevistados que frequentam locais de trabalho onde menos de 20% das superfícies eram de madeira natural. Eles demonstraram um nível de satisfação com sua vida profissional e local de trabalho físico até 30% menor em comparação com os entrevistados que dispunham de espaços com alta presença de madeira. 

Os benefícios vão ainda mais além. Hospitais e outros serviços de saúde já perceberam que a presença desses materiais na arquitetura deixam o ambiente mais acolhedor e aconchegante para pacientes, o que acaba por impactar positivamente em sua recuperação. Outros experimentos também comprovaram impactos no aumento da imunidade, permitindo respostas mais eficazes a tratamentos e reduzindo riscos de contágio de doenças. Uma iniciativa da Universidade Duke, baseada nessas constatações, tira proveito da floresta de Duke em Durham, Carolina do Norte (EUA), onde foi implantada uma instalação de medicina holística combinando estratégias biofílicas e elementos naturais.

A produtividade escolar também pode ser ampliada com o uso da madeira. Um estudo realizado na Áustria ao longo de um ano com 36 alunos entre 13 e 15 anos comparou um grupo que frequentou salas de aula mobiliadas com madeira com outro que utilizou salas de aula padrão com equipamentos de plástico e paredes de gesso. No final do ano, os alunos ensinados em ambientes com madeira demonstraram melhores níveis de estresse, pressão arterial e frequência cardíaca, bem como aumento de produtividade.

Ambientes comerciais podem ser igualmente favorecidos pela escolha de materiais. Um número crescente de marcas de varejo, incluindo a cadeia de fast food McDonald ‘s, estão vendo o impacto do design biofílico em seus resultados financeiros. Os consumidores se mostram mais propensos a consumir em um ambiente que remete à natureza. O Union Way Shopping Center, em Portland, funciona como uma passagem para pedestres entre dois quarteirões distintos da cidade e oferece paredes de madeira, levando o conceito de varejo combinado à conexão com a natureza a um outro patamar. O fato é que as pessoas sentem uma conexão instintiva e uma atração por materiais naturais, o que faz com que cada vez mais especialistas se disponham a compreender e ampliar suas possibilidades de utilização.

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