URBEM 20/01/2022

A madeira como solução dupla: como a silvicultura pode resgatar terras degradadas e garantir mercados mais sustentáveis

O plantio de árvores destinadas à produção de madeira engenheirada vai além das áreas específicas de plantio, beneficiando também territórios degradados. São terras que podem ser recuperadas de processos de erosão e da perda de nutrientes por meio de técnicas atreladas à silvicultura. Para quem não conhece, a silvicultura é a ciência que busca, por meio da preservação, manutenção e produção racional de florestas, atender às demandas do mercado por produtos florestais e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente. Ela baseia-se no manejo voltado à extração, de modo a evitar o desmatamento. A prática também ajuda na captura de carbono da atmosfera e no equilíbrio ambiental. Outra característica da silvicultura é a sua capacidade de aproveitamento do material gerado: da madeira dos troncos e galhos das árvores passando por sementes, flores, frutos e folhas, tudo pode ser convertido em produtos e subprodutos florestais.

Dados da Embrapa indicam haver no País cerca de 130 milhões de hectares de terras degradadas ou que demandam cuidados intensivos para voltarem a ser produtivas. Por isso, parte das áreas cultivadas estão inseridas em locais comprometidos, como a Mata Atlântica, o bioma mais devastado do País. Estima-se que apenas 12% da vegetação original tenha sido mantida. Dessa forma, a silvicultura não só evita o desmatamento das florestas nativas, como ajuda a protegê-las.

O poder de conservação proporcionado pela silvicultura torna-se ainda maior quando se observa o que diz a legislação brasileira: para cada hectare plantado, um hectare nativo deve ser conservado pelas empresas produtoras. Tal combinação permite manter a biodiversidade local, contribuindo para formação de corredores ecológicos, além de melhorar a conservação do solo e a ciclagem de nutrientes, sendo fundamental na formação e aumento de estoques de carbono.

O expertise brasileiro no agronegócio permitiu que a silvicultura evoluísse e se consolidasse pelo País, sobretudo nos estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Atualmente, a silvicultura corresponde a 10% do volume exportado.

A silvicultura comprova que respeitar a floresta é utilizar os recursos naturais de forma consciente, buscando maneiras de garantir que a vegetação mantenha sua capacidade de se renovar. Essas práticas buscam resgatar o equilíbrio entre seres humanos e natureza, consolidando novos mercados capazes de aproveitar e valorizar matérias-primas sustentáveis e em harmonia com o ambiente.

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