No bate papo virtual com a arquiteta Ana Belizário, equipe contou por que técnica e estética não podem ser dissociadas

 

O time é formado por Gaú Manzi, Ivo Magaldi, Luís Pompeo, Luiz Ricardo Florence, Moreno Zaidan, Tiago Oakley e André Sant’Anna da Silva. Não por acaso, compartilham os preceitos da Escola Paulista de Arquitetura desde 2006, quando um dos sócios deixou os bancos da FAU-USP (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) para fundar o premiado escritório paulistano 23 SUL. Desde então, os arquitetos urbanistas reúnem no portfólio obras de diferentes escalas, nas áreas residencial, pública e corporativa.

Adepto ao uso de sistemas pré-fabricados em todos os projetos (madeira, aço e concreto) – em substituição às técnicas artesanais –, o escritório costuma dizer que não faz dos materiais sua paleta de assinatura. Apesar de algumas preferências, acredita que a arquitetura tem de ser independente. Na opinião dos sócios, o setor da construção civil evoluiu muito no que diz respeito à tecnologia, dispondo hoje de técnicas bem resolvidas – a exemplo da madeira engenheirada – que se adequam às mais variadas condições de projeto. Por isso, acreditam que os sistemas construtivos adotados devem seguir sempre a demanda existente.

De acordo com Tiago Oakley, o 23 SUL segue os princípios da Arquitetura Moderna, em que a estrutura da edificação nasce junto com o projeto. “Essa maneira de planejar é inerente ao nosso processo criativo”, justificou. É imprescindível que o arquiteto conheça e domine os fundamentos da estrutura aplicada no partido arquitetônico. “Não projetamos para o engenheiro ter de resolver a parte estrutural posteriormente. Há quem prefira apenas embelezar o edifício, nós não trabalhamos assim. Por isso damos tanta atenção a essa fase”, disse.

Aliar técnica à estética, para os arquitetos, é buscar extrair a melhor expressividade do desenho da estrutura que, quando aparente, acaba atuando como protagonista num projeto. Mas isso não é uma regra para o 23 SUL, considerando que nem sempre isso é possível. “A madeira engenheirada, por exemplo, é um material que traz esse conceito à tona, pois é capaz de romper limites em relação à madeira tradicional, além de seu aspecto que agrada a maioria das pessoas. Além disso, seja pelo tamanho das peças, pela possibilidade de criar formas curvas ou por conseguir vencer grandes vãos, oferece ao arquiteto muita liberdade de uso”, acrescentou Oakley.

 

Madeira como protagonista

Elementos aparentes em madeira engenheirada podem conferir uma estética incrível, dependendo da linguagem arquitetônica desejada. Quando embutidos, cumprem perfeitamente seu papel estrutural. Uma obra que ilustra muito bem esse conceito e que inaugurou o uso do material em maior escala pelo escritório 23 SUL é a Sede Administrativa da Fundação Florestal na Estação Ecológica Juréia-Itatins, em Peruíbe (SP). “É um projeto erguido com estrutura de madeira lamelada colada (MLC), elemento pré-fabricado leve, de origem renovável, que deu origem a uma estrutura elegante e bem resolvida, além de ter reduzido o peso sobre as fundações e a geração de resíduos no local”, contou Gaú Manzi.

Por se tratar de uma obra pública e devido ao acesso remoto ao canteiro, as premissas citadas acima faziam parte do edital de licitação, que, inclusive, mencionava a madeira industrializada. De acordo com os profissionais, isso foi muito favorável, uma vez que a equipe já tinha em mente o uso do material.

Quando o escritório deu início aos trabalhos encontrou a sede original completamente deteriorada, o que culminou em sua demolição e não reforma, como solicitado inicialmente. No local, foi erguida uma edificação de três andares, com estruturas aparentes de MLC e painéis de fechamento de madeira combinados aos de policarbonato (materiais leves).  

Muitos foram os desafios nesse projeto, que acabou por trazer uma experiência interessante à equipe. “Para se ter ideia, a montagem da estrutura foi realizada em pouco mais de 30 dias, com um número reduzido de equipe no canteiro. A obra toda demorou apenas seis meses, tempo excelente pelas condições geográficas do empreendimento”, acrescentou Luiz Ricardo Florence.

O projeto faz parte do programa de recuperação socioambiental da Serra do Mar e do Sistema de Mosaicos da Mata Atlântica, que conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

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