Café com Sustentabilidade

Alexsandro Holanda em evento da Febraban

06/01/2016

O modelo de negócios da AMATA é o exemplo de como a conscientização a
respeito de práticas sustentáveis pode gerar oportunidades para vários setores, entre eles o financeiro. Alexsandro Holanda, CFO da companhia, falou dos serviços da empresa, que faz a ponte entre a floresta e o mercado consumidor ao disponibilizar madeira certificada, produzida com responsabilidade socioambiental e garantia de origem. A madeira AMATA vem de florestas plantadas – de espécies nativas, eucalipto e pínus – e também do manejo de baixo impacto. Para a empresa, trabalhar com os diversos tipos
de floresta – contínuo florestal – é um ativo. Dessa forma, oferece ao mercado madeira sólida, serrada e para processo.


Alexsandro Holanda destacou que o manejo de florestas pode ajudar a  responder várias questões colocadas pela Trucost. A empresa realiza, por exemplo, um trabalho de recuperação de áreas degradadas na Floresta Amazônica em parceria com a Svenska Cellulosa Aktiebolaget (SCA), uma das maiores empresas florestais de papel e celulose da Europa. Projetos como esses vieram do contexto da discussão global sobre a necessidade de abertura de novas fronteiras, da necessidade de cultivo agrícola, da pressão pelo desmatamento e, por outro lado, a pressão pela conservação das florestas.


Ele lembra que o Brasil tem hoje 54% do território coberto por florestas e, desse total, 98% são florestas nativas. “Temos de fazer um bom uso dessas florestas. Temos de fazer bons negócios com essas florestas, para que elas sejam sustentáveis!” Alexsandro Holanda explica que 57% do retorno de um ativo florestal plantado vem do crescimento biológico – ou seja, do investimento que se faz, mais da metade do retorno se dá pela própria absorção da natureza, pelo processo natural. Outra parte, de 25%, vem naturalmente do preço, que é um componente que está no risco de mercado e do preço de terra.


“Infelizmente nem todas as áreas permitem que você tenha investimento florestal
dado o custo inicial da terra. Como é um negócio de baixo risco, esse setor tem
retornos menores que os de outros setores agrícolas e, consequentemente, há um perfil de investidores como os fundos de pensão (56%), fundações e endowments (19%), family offices (7%) e outros investidores (18%) que tem tido acesso a esse mercado”, explica.


Também lembrou que as taxas de produtividade das florestas no Brasil são as maiores do mundo, o que torna mais atrativo o modelo de negócios sustentáveis da AMATA.


Nesse contexto, a empresa enxerga as florestas como um todo. Ou seja, tanto realiza atividades comerciais com florestas nativas como com de florestas plantadas. “Para se ter uma ideia, no equivalente a um campo de futebol, por hectare, a gente retira no máximo duas ou três árvores. A gente só retira a mãe deixando ali duas filhas e quatro netas. Criamos um ciclo sustentável
onde você pode explorar a floresta, de maneira a preservá-la em pé. Porque
o meu maior objetivo é manter aquela floresta viva. Afinal, quando eu voltar lá
em 25 anos, vou ter material para poder explorar comercialmente. Com isso, você
gera um ciclo, gera empregos na região, sem que aquela floresta seja pressionada para vir abaixo.” A AMATA também opera com as florestas plantadas. Então, após a aquisição de áreas de pasto, é possível reflorestar essa área – tanto com florestas nativas, em que a gente utiliza espécies do bioma amazônico em algumas áreas, mas principalmente com pinus e eucalipto.


No modelo de negócios da AMATA, o foco de mercado é a madeira sólida – não é fazer madeira apenas para a indústria de celulose, de MDF - Medium Density Fiberboard, para fazer fibras ou para energia. “A ideia é ter florestas com diâmetros maiores com toras para serrar e ela ser uma alternativa à pressão para o desmatamento da Amazônia no futuro. Porém, são raros investidores no Brasil que conseguem ter fôlego para colocar recursos num investimento e esperar 14 ou 20 anos para começar a ter retorno dessa floresta. Essa é uma das grandes dificuldades do nosso modelo de negócio que precisa de carências longas. Daí nossa razão de precisar da conscientização do setor financeiro para o investimento sustentável em capital natural.”


Alexsandro citou ainda o fato de que as florestas, além da madeira e dos
produtos biológicos da flora, são também responsáveis por diversos serviços
ambientais, como a regulação climática, a redução das concentrações de carbono na atmosfera, a conservação das reservas de água, a manutenção da biodiversidade e, inclusive, as belas paisagens para o turismo. “


Em cada operação, a AMATA vai além do respeito às normas ambientais.
Sua forma de atuar está pautada na sustentabilidade, na busca pela certificação
concedida por instituições independentes e na obtenção da licença social para operar. Afinal, é preciso gerar valor e compartilhá-lo com todos os envolvidos: clientes, acionistas, trabalhadores, fornecedores e moradores das comunidades do entorno das áreas de manejo.”

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