Por um novo urbanismo

Para planejar o futuro do planeta é preciso repensarmos as nossas cidades

Por AMATA AMATA 15/05/2018

Estima-se que em pouco mais de uma década, 90% da população mundial viverá em cidades. Esta perspectiva do aumento da urbanização exige planejamento para que os objetivos definidos pelo Acordo de Paris - manter a temperatura média da Terra abaixo de 2 °C, acima dos níveis pré-industriais, além de esforços para limitar o aumento da temperatura até 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais - possam ser alcançados. Para cumprir este objetivo, é necessário reavaliar a forma e os materiais com que iremos construir nossas cidades. A construção civil é responsável por um terço de toda emissão de gases efeito estufa, segundo dados das Nações Unidas. Os mesmos dados revelam que  a construção consome 40% de toda energia do planeta, extrai 30% dos materiais do meio natural, gera 25% dos resíduos sólidos e consome 25% da água.

Durante o IPCC (Painel Internacional para Mudanças Climáticas), um dos mais importantes encontros sobre o tema, o foco das discussões foi o futuro das cidades. Realizado em Alberta, no Canadá, entre março e abril de 2018, o evento apontou a necessidade de pesquisas multidisciplinares, que levem em conta as comunidades e o contexto dos centros urbanos para a elaboração de um plano com soluções sustentáveis efetivas.

As novas tecnologias podem apontar o caminho para este futuro. Por exemplo, a adoção global de veículos elétricos compartilhados e automatizados pode reduzir a frota mundial de veículos. Materiais e tecnologias acessíveis, como a madeira engenheirada, como o CLT (madeira laminada cruzada) são capazes de sequestrar CO2, possibilitando a construção de arranha-céus leves e que ajudem a diminuir o carbono da atmosfera. A demanda por madeira produzida de forma sustentável, aumentaria a necessidade de recuperação de áreas degradadas com o aumento de áreas dedicadas à florestas plantadas. O concreto, que em sua produção é responsável por 5,6% das emissões globais de CO2, precisa ser substituído por materiais naturais renováveis, pois, somente assim, conseguiremos alcançar níveis negativos de emissão de carbono nas cidades. Corredores de vegetação, parques, e áreas verdes devem ser incorporados ao ambiente urbano para reduzir os riscos de enchentes e aumento de temperatura, melhorando a biodiversidade e o armazenamento de carbono.

Cidades são sistemas complexos e em constante transformação. Por isso, justamente, novas estratégias são necessárias para termos cidades resilientes e com baixa emissão de carbono. A pesquisa por soluções para combater as mudanças climáticas urbanas deve contar com  a participação de todos os setores da sociedades e a formação de um sistema de troca de experiências e conhecimento. Somente com um apoio proporcional à magnitude do problema poderemos assegurar um futuro melhor o planeta e para as cidades.

Para saber mais sobre o IPCC e a busca por soluções para o futuro das cidades, acesse: https://citiesipcc.org

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