Brasil no primeiro congresso mundial que discute prédios de madeira em altura

Comitiva brasileira mobilizada pela AMATA participou das discussões sobre construção civil em madeira no congresso WoodRise, em Bordeaux, na França.

Por AMATA AMATA 28/09/2017

Nos últimos três ou quatro anos, arquitetos, engenheiros e construtoras de vários países se engajaram no desenvolvimento e construção de prédios de seis a 20 andares utilizando madeira. Suas metas são demonstrar os benefícios de usar o material além do alcance arquitetural: a madeira pode ser adaptada para vários projetos de forma eficiente e sustentável, enaltecendo as propriedades acústicas, resistência ao fogo, além da segurança mecânica já comprovada.

Dado este potencial significativo, três players internacionais na construção de madeira – a FCBA, da França; a FPInnovations, do Canadá; e a Building Research Institute do Japão – se juntaram  para organizar o WoodRise, o 1º congresso mundial a colocar em pauta a construção de prédios de madeira em altura, realizado de 12 a 15 de setembro, em Bordeaux, na França.

Seu objetivo foi mobilizar líderes dos segmentos de inovação, arquitetura, design, engenharia e política para discutir a construção destes edifícios no mundo e o uso de madeira certificada e legalizada como uma das possíveis soluções para a proteção e a promoção das florestas, além da construção de cidades sustentáveis de transição ecológica.

Delegações e palestrantes de diversos países estiveram no congresso, como Alemanha, Áustria, Canadá, EUA, França, Inglaterra, Itália, Japão, Noruega, Nova Zelândia, Suécia e Suíça. O Brasil participou do evento com uma comitiva formada pela empresa florestal AMATA, o escritório de arquitetura Triptyque, a Coalizão Brasil Clima Florestas e Agricultura, e representantes do IBA, o IPT e a ABNT.

A palavra chave que ditou o principal mood do evento foi: compartilhar. Experiências, conhecimentos, melhores práticas e soluções. Entre os principais destaques destes três dias de intensos debates e apresentações, o arquiteto canadense Michael Green, lançou seu mais novo projeto, o TOE (Timber Online Education), plataforma que visa trazer informação de alto nível sobre a madeira para facilitar seu uso, criando assim um sistema global de educação que encoraja a inovação, criação de novos empregos, alinhamento da indústria local e priorizar a saúde de nossas cidades e do planeta, engajando toda a cadeia da construção civil, fomentando assim o mercado, além dos arquitetos. O que vai totalmente de encontro com a visão da AMATA. “Estamos testemunhando uma mudança global, e não podemos permitir a falência de outro sistema”, cravou Green em seu discurso.

“A Construção Civil é o único setor que piorou em produtividade nos últimos cem anos. É o momento de olhar esses novos materiais com mais eficiência”. Palavras do arquiteto inglês Andrew Vaughn, que também levantou questões técnicas sobre a queda do custo benefício da madeira estrutural quando a indústria passar a operar em escala, o uso da madeira juntamente com o concreto em construções mistas, os mitos que precisam ser quebrados e o material como uma peça chave para um mundo sustentável. Seguindo esta linha de raciocínio, o renomado arquiteto japonês Kengo Kuma - outra das grande estrelas a passar pelo WoodRise - também discursou sobre como a madeira acolhe, aproxima da floresta e torna a tangibilizar a sensação de sustentabilidade

A AMATA, condizente com essa filosofia, em parceria com a Triptyque, apresentou o primeiro edifício brasileiro totalmente construído com madeira 100% com garantia de origem e trajetória, que será erguido no coração da cidade de São Paulo, conhecida como a “capital de concreto e aço”. O escritório de arquitetura desenhou o prédio para um terreno de 1.025 m² em uma área de 4.340m². Com 13 pavimentos e um conceito mixed-use, que prevê diversas funcionalidades aos espaços, como coworking, coliving, apartamentos e escritórios, o projeto ainda prevê no térreo um restaurante e uma loja que atenderão o público que vive ou trabalha na região.

Sem dúvida, o momento histórico foi o lançamento do Internacional Woodrise Alliance, em cerimônia oficial comandada pelo Sr. Alain Jupé, ex-Primeiro Ministro francês e prefeito de Bordeaux,  com a presença honorável de Stéphane Dion, embaixador do Canadá na Alemanha e enviado especial da América do Norte e Europa ao congresso.

O documento, foi assinado por Brasil - tendo a AMATA como um dos signatários - Canadá, Finlândia, França e Suíça, e pretende dar o próximo passo na neutralização de carbono, reforçando o uso de madeira na construção civil, com foco em três áreas:

- Encorajar a sinergia internacional;
- Identificar boas práticas do uso de madeira;
- Avaliar de forma quantitativa e qualitativa o uso de madeira em construções ao redor do mundo.

O Alliance também será levado para a COP23, como uma das alternativas para as mudanças climáticas.

Além disso, o evento serviu para disseminar o  Woodrise Paper: um compêndio contendo as melhores práticas internacionais para o desenvolvimento econômico, industrial, urbano e arquitetônico, encorajando o uso da madeira como material, o transporte da floresta para a cidade e o compromisso com a sustentabilidade e biodiversidade.

Para que todos essas propostas gerem resultados positivos no futuro, é necessária a vontade de todos em um esforço multidisciplinar. Temos o desafio de
reconfigurar o que é valor para o país, desenvolver e disponibilizar tecnologias que viabilizem esse sistema construtivo e convoque toda a cadeia. Fazer da madeira a principal alternativa para a promoção de construções sustentáveis, tratando-se de um campo ainda incipiente mas com grande potencial para o Brasil, e exige um esforço conjunto, articulado, que abarque os principais desafios para o desenvolvimento desse setor. A AMATA está fazendo sua parte e se coloca na vanguarda deste movimento, acreditando nesta importante iniciativa.

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